sexta-feira, 3 de maio de 2013

TEXTO VENCENDO NA RAÇA - 1ª parte



Vencendo na raça

Pesquisas revelam que o racismo sempre esteve associado à dominação de um povo sobre outro, mas as diferenças entre as raças vão pouco além das que se vê na imagem.

Poucas coisas mudaram no mundo nos últimos 100 mil anos. Naquela época, os primeiros seres humanos modernos surgiam na África e começavam a se espalhar por outros continentes. Eles eram praticamente idênticos aos mais de 6 bilhões de pessoas que habitam hoje o planeta. De lá para cá, os únicos retoques que a nossa espécie sofreu foram pequenas adaptações aos diferentes ambientes mudanças exteriores para lidar melhor com lugares mais frios, secos ou com ventos mais fortes. O lado triste dessa incrível capacidade de adaptação é que as diferenças físicas foram usadas para avaliar pessoas à primeira vista e atribuir-lhes qualidades e defeitos. Milhões foram escravizados, mortos ou discriminados por causa da aparência física.

Por que só agora os cientistas começam a entender as diferenças entre os seres humanos? Tanta demora para tratar do assunto tem um motivo: as primeiras tentativas científicas de analisar as raças humanas levaram quase sempre à conclusão de que algumas eram mais inteligentes e criativas ou seja, superiores às outras. O resultado foram as tentativas de criar uma raça pura e as ideologias que levaram a genocídios. As tragédias geradas por essas teorias fizeram a ciência aceitar que as raças não tinham nada de biológico e que eram apenas um produto da sociedade. O que vemos agora é a tendência de volta à biologia, diz o antropólogo João Baptista Borges Pereira, da Universidade de São Paulo (USP).

Os cientistas estão confiantes que dessa vez o resultado será diferente. Estudar as diferenças humanas é perigoso porque sempre existirão pessoas que distorcerão os estudos, mas acredito que os cientistas e o público amadureceram o suficiente para seguirmos com as pesquisas, diz a antropóloga Nina Joblonski, da Academia de Ciências da Califórnia, Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, as ciências humanas avaliam como o racismo é difundido e prejudicial. Nesse ponto, o Brasil está entre os piores países do mundo. O problema é complexo, mas podemos amenizá-lo. Só que, antes, é preciso saber como tudo começou.

Como nos tornamos diferentes?
Ao contrário dos chimpanzés e demais primatas, o homem não possui cabelo por todo o corpo. A adaptação provavelmente surgiu por volta de 1,6 milhão de anos atrás para esfriar o corpo de alguns dos nossos primeiros ancestrais, que começavam a se tornar mais ativos e fazer longas caminhadas. Uma mudança levou a outra: células que produziam melanina, antes restritas a algumas partes descobertas, se espalharam por toda a epiderme. Além de tornar a pele escura, a melanina absorve os raios ultravioleta do Sol e faz com que percam energia. Os cientistas acreditavam que esse traço havia evoluído para evitar cânceres de pele, mas a teoria esbarrava no fato de que esse mal costuma surgir em idade avançada, depois que as pessoas já tiveram filhos, e portanto dificilmente alteraria a evolução. Até que, em 1991, Nina Joblonski encontrou estudos que mostravam que pessoas de pele clara expostas à forte luz solar tinham níveis muito baixos de folato.

A deficiência dessa substância em mulheres grávidas pode levar a graves problemas de coluna em seus filhos. Além disso, o folato é essencial em atividades que envolvam a proliferação rápida de células, como a produção de espermatozóides. Nos ambientes próximos à linha do Equador, a pele negra era uma boa forma de manter o nível de folato no corpo, diz a antropóloga.

Enquanto os humanos modernos estavam restritos à África, a melanina funcionava bem para todos. Eles eram um grupo bastante homogêneo, porque, por motivos desconhecidos, os primeiros humanos estiveram perto da extinção há cerca de 200 mil anos, com talvez não mais de 20 mil pessoas. Posteriormente, a descoberta de novas ferramentas e o crescimento da população tornou a África pequena demais para eles e, cerca de 100 mil anos atrás, os homens modernos chegaram à Ásia. De lá se espalharam para a Oceania, depois para a Europa e, há pelo menos 15 mil anos, à América.

Nas regiões menos ensolaradas, a pele negra começou a bloquear demais os raios ultravioleta. Esse tipo de radiação é nocivo em quase todos os aspectos, mas tem um papel essencial no organismo: iniciar a formação na pele de vitamina D, necessária para o desenvolvimento do esqueleto e a manutenção do sistema imunológico. A tendência então foi que populações que migraram para regiões menos ensolaradas desenvolvessem pele mais clara para aumentar a absorção de raios ultravioleta. Em regiões intermediárias, o truque evolutivo foi o bronzeamento uma camada temporária de melanina para proteger o folato em épocas de sol e produzir vitamina D quando ele não fosse tão forte. Ou seja, de acordo com os novos estudos, a cor da pele é apenas uma forma de regular nutrientes.

Adaptações ao clima afetam primordialmente características superficiais. A interface entre o interior e o exterior têm papel fundamental na troca de calor de dentro para fora, e vice-versa, afirma o geneticista italiano Luigi Luca Cavalli-Sforza, um dos pioneiros no estudo de genética de populações, em seu livro Genes, Povos e Línguas. Ao se espalhar pelo mundo, os seres humanos tiveram que lidar com todo tipo de ambiente e o principal elemento a se adaptar aos extremos de temperatura, umidade, iluminação e ventos do planeta foi a aparência. Um exemplo é o tamanho do corpo: em regiões quentes é vantajoso ser baixo como os pigmeus ou alongado como os quenianos, com a superfície do corpo grande quando comparada ao volume, o que facilita a evaporação do suor. O cabelo encarapinhado ajuda a reter o suor no couro cabeludo e a resfriá-lo. O oposto ocorre em regiões frias como a Sibéria.

O corpo e a cabeça dos mongóis, que se desenvolveram por lá, tendem a ser arredondados para guardar calor, o nariz, pequeno para não congelar, com narinas estreitas para aquecer o ar que chega aos pulmões, e os olhos, alongados e protegidos do vento por dobras de pele.

A origem de muitas características, no entanto, permanece desconhecida. Muitas delas podem ter surgido por serem consideradas belas ou simplesmente por acaso. Populações de nativos da América, por exemplo, devem ter passado por momentos em que se reduziram a algumas dezenas de indivíduos, o que eliminaria os traços menos comuns, como alguns tipos sangüíneos. Há também a influência da cultura: algumas mudanças podem não ter ocorrido porque os homens já tinham meios de se proteger do ambiente. Ainda não sabemos se a maioria dos traços foi fruto da adaptação ou da sorte, mas é provável que os estudos do genoma humano expliquem muitos deles nos próximos dez anos, diz a antropóloga Nina Joblonski.

As modificações, no entanto, não foram muito além da aparência, graças à homogeneidade da população humana em seus primórdios e ao pouco tempo que ela teve para evoluir desde então (cerca de 7 500 gerações). Os poucos traços que mudaram também não estão ligados entre si, o que permitiu que uma mesma pessoa tenha características de diferentes etnias e criou um contínuo de cores entre as populações. Entretanto, a visão é o sentido mais apurado do ser humano e o fato de essas diferenças estarem na aparência levou muitos a considerá-las profundas.

Existem raças humanas?
Em 1758, o botânico sueco Carolus Linnaeus o criador do atual sistema de classificação dos seres vivos deu à humanidade o nome científico de Homo sapiens e a dividiu em quatro subespécies: os vermelhos americanos, geniosos, despreocupados e livres; os amarelos asiáticos, severos e ambiciosos; os negros africanos, ardilosos e irrefletidos, e os brancos europeus, evidentemente, ativos, inteligentes e engenhosos. Estava aberta a discussão sobre a existência de raças humanas e o valor de cada uma. No entanto, essas características nunca foram comprovadas e a principal conseqüência desse tipo de idéia foram as câmaras de gás nazistas, o que levou os cientistas do século 20 a acreditar que todas as diferenças entre humanos estavam na cultura. A idéia de que as raças humanas não existem biologicamente foi reforçada nos anos 70, quando pesquisas analisaram as diferenças entre as proteínas de diversas populações.

Os seres humanos estavam muito longe de apresentar uma diversidade comparável à de espécies que de fato possuem raças, como elefantes ou ursos. Na verdade, a diferença genética entre dois chimpanzés de uma mesma colina na África pode ser maior que o dobro da existente entre os 6 bilhões de humanos do planeta.

Faltava apenas uma medida precisa da grande semelhança existente entre nós, e ela finalmente apareceu em dezembro do ano passado. Uma equipe de sete pesquisadores dos Estados Unidos, França e Rússia comparou 377 partes do DNA de 1 056 pessoas de 52 populações de todos os continentes. O placar final: entre 93% e 95% da diferença genética entre os humanos é encontrada nos indivíduos de um mesmo grupo e a diversidade entre as populações é responsável por 3% a 5%. Ou seja, dependendo do caso, o genoma de um africano pode ter mais semelhanças com o de um norueguês do que com alguém de sua cidade. O estudo também mostrou que não existem genes exclusivos de uma população, nem grupos em que todos os membros tenham a mesma variação genética. A diversidade entre as populações está nas diferentes freqüências de traços que são encontrados em todo lugar, diz o biólogo Noah Rosemberg, da Universidade do Sul da Califórnia, Estados Unidos, um dos autores do trabalho.

O estudo, entretanto, levantou um aspecto polêmico: há, de fato, uma relação entre o grupo de origem de uma pessoa e seu genoma. Em outras palavras, a ancestralidade declarada por alguém reflete uma diferença genética, mesmo que, como dissemos há pouco, essa diversidade seja de apenas 3% a 5% da que existe entre os humanos. Existem claramente diferenças entre populações que são visíveis no genoma. Algumas pessoas podem chamar isso de raça, outras não, mas o fato é que a diversidade existe, apesar de representar uma fração bem pequena da nossa constituição genética, diz Rosemberg.
A questão já era muito discutida pelos médicos. Para alguns, mesmo que as raças não existam, a etnia de uma pessoa pode fornecer pistas que facilitem o diagnóstico de doenças. Outros acham que usar raças na medicina não só é inútil como perigoso. A polêmica ganhou força com a publicação no ano passado de uma pesquisa que afirmava que o enalapril, um remédio para problemas cardíacos crônicos, funcionava menos em negros que em brancos.

Existem de fato doenças mais comuns em algumas etnias. Um exemplo é a hemocromatose, uma desordem na metabolização de ferro, que ocorre em 7,5% dos suecos mas é quase inexistente em chineses ou indianos. Os negros americanos também sofrem mais de doenças cardiovasculares, mas o motivo ainda é desconhecido: pode ser um traço hereditário ou o resultado de mais tensões e menos acesso a serviços de saúde. Qualquer que seja a explicação, não podemos generalizar os resultados. Cada país tem uma composição genética diferente, que varia de acordo com a história e a interação entre os grupos que para lá migraram, afirma o geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mesmo que a raça seja um recurso útil para prever o risco de doenças, muitos médicos acreditam que seria melhor abandoná-la em prol de uma análise mais rigorosa da ascendência. Não se sabe ao certo se usar raças na medicina é melhor do que não usar nenhuma informação sobre ancestralidade. Nós preferimos usar classificações mais específicas, que chamamos de populações, diz Rosemberg. A única semelhança, por exemplo, entre os negros do Sri Lanka, da Nigéria e do norte da Austrália é a cor da pele. A categoria ainda teria a vantagem de lidar melhor com sociedades mais miscigenadas. Se você permitir que as pessoas declarem múltiplas ancestralidades, terá boas chances de determinar as diferenças genéticas, afirma Rosemberg.

As novas técnicas de análise genética, no entanto, abrem a possibilidade de se abandonarem de vez as classificações raciais em prol de critérios mais precisos. Nós precisamos simplesmente olhar todos os humanos como um enorme conjunto de genes e ver se conseguimos achar alguns grupos, que provavelmente não corresponderão à divisão clássica de raças, diz Nina Joblonski. O geneticista David Goldstein, da University College, em Londres, Inglaterra, estudou a resposta a remédios em seis grupos étnicos clássicos. O resultado foi melhor quando, em vez de considerar as populações, ele reagrupou os indivíduos de acordo com semelhanças genéticas. Como os seres humanos são muito parecidos, um remédio que funcione para uma população sempre encontrará pessoas em outros grupos que também podem se beneficiar dele. No final, para cada característica poderíamos ter um novo agrupamento.

Assim como a Terra pode ser descrita por muitos tipos de mapa do topológico ao econômico é possível dividir as variações genéticas de infinitas maneiras e ressaltar qualquer similaridade ou diferença desejada. Se sobrepusermos todos os mapas, cada pessoa será única.

Qualquer que seja a conclusão a que os médicos e biólogos cheguem, as raças vão continuar existindo para quem estuda as ciências humanas. Os brasileiros acreditam em raças e agem de acordo com elas. Então elas existem, afirma o sociólogo Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, da USP. Elas são uma categoria de exclusão e dominação que traz problemas na realidade. Mesmo que não existam biologicamente, elas criam vítimas, diz o antropólogo Kabengele Munanga, também da USP. Ou seja, ao menos na cabeça das pessoas, as raças são bem reais.
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 Fonte
.Supermundo. Disponível em<http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_122787.shtml>. Acesso em:20mar. 2011

Lista de Filmes de temas tratados nas aulas de Antropologia - 1ª parte





FILMES SOBRE OS KAMAYURÁS

Jornada Kamaiura

Kamayuras – A festa do Pequi

Kamayurás – Ritual de passagem para a vida adulta

Kamayuras – Beiju

Aldeia Kamayura – em 2011


OUTROS TEMAS

Nanook, o esquimó

Nanook, o esquimó

Nanook, o esquimó

Origem dos seres humanos – A verdadeira Eva



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Processos Culturais (resumo parte do capitulo Cultura do Livro Antropologia, Uma Introdução de Marconi Presotto)




PROCESSOS CULTURAIS

Processos Culturais     (MARCONI; PRESOTTO, 60)
         1 - Mudança Cultural
         2 - Difusão Cultural
         3 - Aculturação
                   3.1 -Assimilação
                   3.2 - Sincretismo
                   3.3 - Transculturação
         4 - Endoculturação                           
         5 - Estagnação

Processo é a maneira, consciente ou inconsciente, pela qual as coisas se realizam, se comportam ou se organizam.                 60

1 - MUDANÇA CULTURAL

Conceito
É qualquer alteração na cultura, sejam traços, complexos, padrões ou em toda a cultura (o que é mais difícil)           (MARCONI; PRESOTTO,  60 - 61)

As culturas mudam continuadamente assimilam novos traços, ou abandonam os antigos [ou reelaboram os já existentes] através de diferentes formas.
         Crescimento
         Transmissão
         Difusão
         Estagnação
         Declínio
         Fusão                  
         [reelaboração]

Fatores causadores de mudanças na Cultura            60 -61
a) aumento ou diminuição de população
b) migrações;
c) contatos com povos de cultura diferentes
d) catástrofes
e) crises econômicas 
f) descobertas fortuitas
g) mudanças violentas [ou não] de governo (MARCONI; PRESOTTO, p.60 - 61)
Acrescentar
         desenvolvimento econômico
         ações de governos intencionais ou não

De acordo com Marconi e Presotto (1989,p.61) têm-se mudanças quando:
a) novos elementos são agregados ou os velhos elementos são aperfeiçoados [reelaboração];
b) novos elementos são tomados de empréstimo de outras culturas;
c) elementos culturais inadequados [superados, obsoletos] são abandonados
d) alguns elementos por falta de transmissão de geração a geração se perdem

Podemos acrescentar outro tipo de mudança cultural
e) quando um elemento ou Complexo cultural muda de função
exemplos
         - lampião no meio urbano passou a ser utilizado como objeto de     decoração;
         - Velas de meio de iluminação ou com finalidade religiosa passaram a     serem utilizadas com fins decorativos, como velas aromáticas,                mantendo, a finalidade religiosa
         - Estradas de ferro antigas que deixaram de ser utilizadas para      transporte de mercadorias e passaram a ser utilizadas com fins         turísticos

Observações
a) o crescimento de uma cultura não é uniforme, no tempo e no espaço;
b) O crescimento [mudança cultural] em uma cultura ou parte da cultura não se processa em um mesmo ritmo, em todos os setores [a mudança é mais rápida na parte material da cultura do que na parte não material]
c) em povos totalmente isolados [quase não existem mais] o processo de mudança cultural é mais lento, pois cultura muda, apenas em conseqüência de fatores internos [invenção ou descoberta]

As Mudanças Culturais podem surgir em conseqüência de
         Fatores internos (endógenos)
                   Descoberta, invenção

         Fatores externos (exógenos)
                   Difusão Cultural

As modificações na cultura ocorrem em quatro etapas:     61 - 63
1ª Etapa - Chegada do elemento ou complexo cultural (inovação) através de:
         Variação
         Descoberta ou Invenção
         Tentativa
         Difusão Cultural
         Incentivo
        
2ª Etapa - Aceitação Social
3ª Etapa - Eliminação Seletiva
4ª Etapa - Integração

1 [Etapa - Inovação
É o aparecimento de um elemento (traço) cultural.

Maneiras de chegada de elemento novo em uma cultura. (Inovação)
         Variação
         Invenção ou descoberta
         Tentativas
         Empréstimo cultural
         Incentivo              (MARCONI; PRESOTTO, p. 62)

Inovação
         - Variação
         - Invenção
         - descoberta

a) Variação                  62
É uma ligeira mudança nos padrões de comportamento [pode ocorrer também em traços culturais materiais e em Complexos Culturais]
         Exemplos
                   nas formas de saudar os mais velhos
                   nas vestimentas masculinas ou femininas
                   no aprimoramento de maquinas e equipamentos

b) Invenção ou Descoberta             62
[descoberta – aquilo que se descobriu ou encontrou por acaso (achado)]
         Exemplo
                   Como o café foi descoberto na Etiópia
                   Descoberta de novas variedades de plantas surgidas de mutações
                   (maça fugi, variedades de uvas)

[invenção – coisa nova, criada ou concebida no campo da ciência, da tecnologia, ou das artes.]

Os processos de descoberta ou invenção podem ser atribuídos à causalidade ou à necessidade.

No crescimento de uma cultura [por invenção], cada novo traço cultural nada mais é do que o desenvolvimento de elementos existentes anteriormente]
[“não surgem do nada”, tem por base elementos culturais (conhecimentos, equipamentos etc.) já existentes]
         Exemplo
         - Na invenção da Bomba atômica foi utilizado o conhecimento sobre a     estrutura do átomo
         - para a invenção da vacina contra a AIDS está sendo utilizado o   conhecimento já acumulado utilizado para inventar outros tipos de        vacina, bem como imuniologia


c) Tentativa                  62
Quando surgem elementos que tenham pouca ou nenhuma relação com o passado.                 (MARCONI; PRESOTTO,  p. 62)
         Difere do sentido popularmente utilizado para se referir a forma de          obter conhecimentos através de erros e acertos

         Exemplos de Tentativa
                   Maquina de escrever
                   Computador
                   Internet

d) Empréstimo Cultural [Difusão Cultural]
É a vinda de elementos culturais ou complexo cultural de outra cultura.
É a forma mais importante de surgimento de novos elementos culturais [traços ou complexos] em uma cultura
De todas as Inovações, a Difusão Cultural é o meio mais comum e importante.



Observações
- Para esse processo cultural, o uso do termo Difusão Cultural é mais adequado e mais utilizado do que Empréstimo Cultural
- A Difusão Cultural é o maior causadora de novos elementos culturais em uma Cultura;
Exemplos de Difusão Cultural
         Vinda para a Cultura Brasileira do Papai Noel, Espiritismo, Futebol,
         Computador, carro, bicicleta, motocicleta, manga, coco da Bahia, café
         Cana de açúcar

e) Incentivo                   62
Elemento alheio aceito pelo povo quando atende as suas necessidades
         Exemplo
                   Radio, robô, computador

Observações
Pode ter outro sentido. No dicionário Incentivo significa estimulo.  Aquilo que estimula, excita, incita.
Deste modo incentivo seria o estimulo à uma ação, no caso de Mudança Cultural poderia ser ações de Governo, meios de comunicação de massa etc. visando estimular (incentivar) adoção de novos traços ou Complexos Culturais.  Por exemplo: Mudança do consumo de gorduras animais por óleos vegetais, estimulo ao uso de camisinha, introdução de computadores e Internet nas escolas etc.


2ª Etapa - Aceitação Social            63
Aceitação Social é a adoção de um novo traço cultural através da imitação ou do comportamento copiado.

No inicio pode ser aceito apenas por um ou poucos indivíduos;
Aceitação de um traço depende muitas vezes, do seu significado
A aceitação é influenciada pela utilização ou necessidade
As vezes uma sociedade aceita elementos culturais de pouca serventia (pouco útil. Por exemplo: jogos, mitos. [piercing,tatuagem]

Observação
Em alguns casos o novo elemento cultural é assumido por algum grupo social e não pela maioria dos membros de uma sociedade

         Exemplos
         Piercing e tatuagem (por algumas pessoas de diversos segmentos    sociais; reggae (no Maranhão);  pratos da culinária japonesa (em   Cáceres


3ª Etapa Eliminação Seletiva                   63
Consiste na competição pela sobrevivência feita por um elemento novo [que compete com outro já existente]
`        Exemplo:
          carroça X caminhão; café feito com coador X café solúvel ou feito à         maquina    

         Observação
         disputa com outro elemento e  a eliminação do elemento antigo.  As         
          Exemplo:   Telefone fixo e telefone celular

4ª Etapa Integração Social             63
Consiste no desenvolvimento progressivo de ajustamento [do novo elemento cultural] com os outros elementos que compõem a cultura local.

Na Integração deve haver:
         Adaptação progressiva
         Ajustamento recíproco entre os elementos culturais
         (MARCONI; PRESOTTO, p.63)

2 - DIFUSÃO CULTURAL            63
É um processo na dinâmica cultural em que os elementos ou complexos culturais se difundem de uma sociedade para outra.

A Difusão Cultural pode realizar-se por imitação ou por estímulo [ou a força]

Imitação – roupas, penteados, [citar papel dos meios de comunicação]
Estímulo – computador [modernização obrigatória feita em determinados países]

Nem tudo é aceito, imediatamente, há rejeição em relação a certos traços ou complexos culturais.


         Exemplos
         Falta de proximidade com elementos já existentes.  Calça de marca em    países que usam túnica
         Alfabeto no Japão e na China         

O tipo mais significativo de Difusão Cultural é o de relações pacificas

Quase sempre um traço ou complexo cultural vindo de fora sofre modificações, havendo reinterpretação posterior.
Pode haver reformulações
         - quanto a forma
         - à aplicação
         - ao significado
         - à função

         Exemplo de reformulação
         - Futebol no Brasil diferente da Inglaterra onde se originou.
         - no Português falado no Brasil


Seqüência do Processo de difusão Cultural      64
a) chegada do novo elemento cultural a uma sociedade;
b) aceitação do elemento [gradual]
c) integração na cultura existente

Fatores que impedem [ou dificultam] a Difusão Cultural   64
         Condições geográficas
         Isolamento

         Acrescentar
         Diferenças de idiomas

De acordo com Linton (1962)
Fatores que influenciam no processo de Difusão Cultural
1- tipo de contato entre povos           (LINTON, 1962.p 364
Pode ter uma grande duração, ou ser apenas breve e esporádico. Maior a duração do contato contribui para facilitar a Difusão Cultural. [tempo de contato; quantidade de pessoas envolvidas; se pacifico ou não]

2- comunicabilidade intrínseca do Elemento Cultural.      LINTON, 1962.p 364
Certos elementos culturais podem ser expressos mais facilmente do que outros,seja na forma de atos ,sejam na forma verbalizada
         Existe  facilidade de difusão de elementos materiais, em relação à   elementos não materiais.

3 – Utilidade do Elemento Cultural              LINTON, 1962.p 371 - 372

4 – Compatibilidade do novo Elemento Cultural com a Cultura onde esta sendo difundido.                         p. 371 - 37

5 – Interesses que domina a vida do grupo receptor                 LINTON, 1962.p 373

6 – Prestigio do grupo doador           LINTON, 1962.p 373 – 374

7 – prestigio dos indivíduos sob cujos auspícios o novo elemento é apresentado à sociedade (inovadores)                   LINTON, 1962.p 374

8 – “voguismo”, ou seja, o propecção de aceitar coisas novas [de fora], geralmente sem grandes utilidades.                       LINTON, 1962.p 375


3 - ACULTURAÇÃO
É a fusão de 2 culturas diferentes que entrando em contato continuo originam mudanças nos padrões de cultura de ambos os grupos.      (MARCONI; PRESOTTO, p.64[AM1] )

Na troca recíproca [relativizar] entre as duas culturas, um grupo pode dar mais e receber menos.
         Exemplo
                   Povos indígenas do Brasil e o restante da Sociedade Nacional

Um grupo pode receber mais elementos culturais do que transmitir
Exemplo – povos indígenas e a cultura da população não indígena [índios Guatós]

A aculturação é uma forma especial de Mudança [Cultural].
A sociedade que sofre o processo de aculturação modifica a sua cultura, ajustando ou conformando seus padrões culturais aos daquela que a domina.
Entretanto, embora sofra grandes alterações no seu modo de vida, conserva sempre algo de sua própria identidade.                   65
         Exemplo
                   Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro tiveram suas culturais                  quase totalmente modificadas (língua, religião, normas sociais,                          conhecimentos etc.).  Mas conservaram alguns elementos                    culturais que atualmente utilizam para confirmar suas                                  identidades étnicas (indianidade) e pleitear seus direitos                             étnicos (terra)

No Processo de Aculturação, a mudança surge como um desvio das normas consuetudinárias [costumeiras, habituais] existentes.              65

O desvio [mudança cultural] é realizado de formas diferenciadas:       65
         - com entusiasmo
         - com desprezo
         - totalmente desaprovado
         - sancionado levemente ou lentamente
         - totalmente rejeitado

Os Processos de Aculturação não ocorrem total ou instantaneamente em nenhuma sociedade.  A Mudança [aceitação] de traços materiais é sempre mais rápida e aceita com mais facilidade.
         Exemplo:
                   - Aceitação do uso do facão, faca, machado, motosserra nos                     povos indigenas

Aculturação                  64
         Assimilação
         Sincretismo
         Transculturação

3.1 - Assimilação
É uma fase da aculturação.  È um processo mediante o qual os grupos que vivem em um território comum, embora procedentes de lugares diferentes [algum deles], alcançam uma “solidariedade cultural”
(MARCONI; PRESOTTO, p.64)

Observação.
Este conceito tem também outro sentido
No Dicionário Aurélio Assimilação significa
Processo pelo qual um grupo social, geralmente minoritário ou subordinado, perde suas características culturais distintivas, sendo integrado, ou absorvido pelo grupo maior, ou mais poderoso, ou que constitui a sociedade envolvente.

Assimilar - tornar-se semelhante ou igual

Aculturação pode significar, também, resultado do processo de adaptação de um individuo a uma outra cultura.
         Exemplo- índio aculturado, aculturação do imigrante

3 2 – Sincretismo  64 - 65
Fusão de 2 elementos culturais análogos (crenças e praticas), de culturas diferentes ou não.

Exemplos:
Macumba – espiritismo Kardecista+ Catolicismo + fetichismo africano e indígena. (MARCONI; PRESOTTO, p.64 - 65)

Outro Exemplo
[Religião do Santo Daime fundada no Acre pelo padrinho Sebastião, com elementos do tambor de mina, da dança de São Gonçalo, da umbanda, Catolicismo e de outras fontes]


3.3 - Transculturação
Consiste na troca de elementos culturais entre sociedade diferentes.

Exemplo
Sírios Libaneses trouxeram a esfira e o quibe para o Brasil e aqui adotaram o arroz e o feijão.

Deculturação                65
Quando um tração cultural novo entra em competição com outro já existente e o substitui.
         Exemplo- fogão a gás substituindo o fogão de lenha

4 – ENDOCULTURAÇÃO  (ENCULTURAÇÃO)    65
É o processo de aprendizagem e educação em uma cultura desde a infância.

Cada individuo adquire as crenças, o comportamento, os modos de vida da sociedade a que pertence.

Ninguém aprende toda a cultura, mas está condicionado a certos aspectos particulares da transmissão de seu grupo.
As sociedades não permitem que seus membros ajam de forma diferenciada.  Todos os atos, comportamentos e atitudes de seus membros são controlados por ela.   [através de punições ou premiações, vide Normas sociais]
(MARCONI; PRESOTTO, p.65)

         OBSERVAÇÕES
         Alguns autores denominam de Socialização  a  Endoculturação (Enculturação).

         Difere um pouco do outro sentido desta palavra como sendo adaptação do individuo ao Grupo

         Orgãos Socializadores ( que fazem a Endoculturação:
         Familia
         Escola
         Grupo de iguais
         Igreja
         Meios de comunicação de massa
»       Televisão
»       Rádio
»       Jornal
»       Cinema
»       Internet
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Anotações do livro Antropologia Cultural: Iniciação, Teoria e Temas de Luiz Gonzaga Mello


Processo de Endoculturação  (enculturação)
“[...] Processo de ajustamento de respostas individuais aos padrões de cultura de uma sociedade”. (HERSKOVITS apud MELLO, 1986, p.85 - 86).

Processo consciente e inconsciente de condicionamento à uma cultura
Causa adaptação à vida social
Satisfação ao seguir as determinações da cultura. [Exemplo – padrões alimentares determinados o que gostamos de comer e beber]

A cultura não é transmitida biologicamente e sim, através de uma serie de processos culturais, entre os quais a endoculturação.

A endoculturação é um processo que tem inicio com o nascimento da criança e se estende até a sua morte [velhice]

Analogia com uma esponja.
A criança nasce sem cultura.  Ela absorve a cultura, adquire os condicionamentos fundamentais, como hábitos de comer, dormir, falar, pensar.
[analogia com um caderno em branco]
[Critica a analogia do ser humano ser igual a argila(capacidade de ser moldável). Afirma que os seres humanos tem também a capacidade de criar coisas novas. A capacidade de intencionalmente mudar de Cultura]
A criança ao nascer tem um comportamento cem por cento biológico.

Se dividíssemos a vida dos seres humanos em três etapas distintas: 1ª do nascimento à juventude; 2ª a maturidade; 3ª a velhice. Podemos constatar que:
1 - na primeira fase os seres humanos aceitam, praticamente, todas as mensagens da cultura;
2 – na segunda aceita-as em função da cultura anteriormente interiorizada, partindo então, para a reformulação e o recondicionamento.
3 – na terceira, raramente aceita uma reformulação. A cultura interiorizada está cristalizada e impermeável às novas sugestões da cultura provocadas pelas novas situações.
(MELLO, 1986, p.89)

[...] A tendência é absorver o maximo da cultura e conformar seu comportamento a ela. Aprende todo o dispositivo simbólico que lhe permitirá comunicar-se com os outros e a tornará apta para o processo intelectual, sensitivo e volitivo. Adquirirá hábitos e costumes, disciplinará seus movimentos biológicos e sofrerá uma mudança progressiva que transformará seu comportamento de cem por cento biológico ao ponto máximo de cem por cento cultural” (MELLO, 1986, p.86).

O processo de endoculturação (ou enculturação) apresenta variações e intensidades diversas.   
1 – No recém-nascido tem o caráter de uma verdadeira imposição da cultura.  Pois nos primeiros anos de vida a criança não escolhe os padrões culturais que irá assimilar.
No momento que a criança começa a fazer uso de suas faculdades mentais, o faz baseada na cultura interiorizada.
Já adulta, a conduta evidentemente pessoal e consciente do individuo não deixa de ser uma expressão da cultura.

2 – No ser humano [ao se tornar mais adulto] a endoculturação se torna mais maleável e converte-se em um misto de formação e de reformulação, de conhecimento e de recondicionamento.

3 -. Na maturidade, o individuo teria sua endoculturação completada se não tivesse de enfrentar novas situações [casamento, paternidade, maternidade, velhice].  Contudo nestes casos, seu ajustamento será sempre um processo de recondicionamento, porquanto ninguém despreza os valores interiorizados.
(MELLO, 1986, p.88 - 89)

[Lembrar que os estímulos para seguir a cultura do grupo podem ser penalizações e premiações]


BIBLIOGRAFIA

LINTON, Ralph. O Homem: Uma Introdução à Antropologia. 3. ed. São Paulo: Livraria Martins, 1962.

MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Cultura. In:_____. Antropologia: Uma Introdução. 2.ed. São Paulo:Atlas, 1989. cap.2, p.60 – 66.

MELO, Luiz Gonzaga. Dinamismo Cultural. In:____ . Antropologia Cultural: Iniciação, Teoria e Temas. 3. ed. Petrópolis:Vozes, 1986. Cap.3, p.79 – 126.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Sociologia Geral. 7.ed. São Paulo:Atlas, 1999.

Padrão de Cultura – é um comportamento generalizado, estandardizado e regularizado.  Ele estabelece o que é aceitável ou não na conduta das pessoas em uma dada cultura.               5 MARCONI; PRESOTTO   p. 54