sábado, 24 de novembro de 2012

Educação?Educações


EDUCAÇÃO? EDUCAÇÕES


BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. São Paulo: Brasiliense,2004.
 
Resumo elaborado por Antônio Eustáquio de Moura


Educação?Educações: Aprende com o Índio

Ninguém escapa da educação.  Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela.  Todos os dias misturamos a vida com a educação.

 

Não há uma forma única, nem um único modelo de educação;

A escola não é o único lugar onde ela ocorre, e talvez não segue o melhor;

O ensino escolar não é a única pratica onde ocorre a educação;

O professor profissional não é o único praticante da educação [educador]

Em mundos diversos [sociedades] a educação existe de formas diferentes

 

Ler carta escrita pelos chefes indígenas para autoridades brancas que ofereceram vagas para educar jovens indígenas em suas escolas           p. 8 – 9

 

Os índios sabiam que a educação do colonizador, que contem o saber de seu modo de vida e ajuda a confirmar a aparente legalidade de seus atos de domínio, na verdade não serve para ser a educação do colonizado [no caso dos povos indígenas]                    p.11

 

Existe educação em cada povo

Existe educação de cada categoria de sujeitos de um povo

Existe entre povos que se encontram            p.9 -10

 

Da família à comunidade, a educação existe difusa em todos os mundos sociais [sociedades]

 

A educação pode existir livre, entre todos.  Pode ser uma das maneiras que as pessoas criam para tornar comum, como saber, como idéia, como crença, aquilo que é comunitário como bem, como trabalho, ou como vida.         p.10

 

A educação pode existir imposta por um sistema centralizado de poder, que usa o saber e o controle sobre o saber como armas que reforçam a desigualdade entre os seres humanos  p.10

 

A educação é uma fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua cultura.

 

Formas de educação que produzem e praticam     p.10 -11

            O saber que atravessa as palavras da tribo [linguagem]

            Códigos sociais de conduta

            As regras de trabalho

            Os segredos da arte ou da religião

            Do artesanato ou da tecnologia que qualquer povo precisa para reinventar todos os dias a vida do grupo [enfim para viver]

            Incultar, de geração em geração, a necessidade da ordem [social]

 

Força da Educação              p.11

Ela ajuda a pensar e a criar tipos de homens que a sociedade precisa, através de passar para uns e para outros o saber que os constitui e legitima

Participa do processo de

            - Construção de crenças e idéias

            - De qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e    poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades.

 

Fraqueza da Educação

O professor pensando as vezes que age por si próprio, livre e em nome de todos, imagina que serve ao saber e a quem ensina, mas na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu como professor [pessoa, classe ou grupo social], a fim de usá-lo, e ao seu trabalho, para fins escusos que ocultam também na educação, ou seja, interesses políticos impostos sobre ela e, através de seu exercício sobre a sociedade que habita           p.11 – 12

 

 

 

A educação no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais é vista como tendo a missão de transformar sujeitos e mundos [sociedades] em alguma coisa melhor.

Mas na pratica a mesma educação que ensina pode deseducar, fazendo o contrario do que se pensa sobre ela.   p.12

 

Quando a escola é a aldeia

A educação existe onde não há a escola, onde sequer foi criado algum modelo de ensino formal e centralizado. Pois nesses locais podem existir redes e estruturas sociais de transferência de saber de uma geração a outra.  p.13

 

Os animais aprendem de dentro para fora com as armas naturais do instinto. Mas a isto eles acrescentam maneiras de aprender de fora para dentro, convivendo com a espécie, observando a conduta de outros iguais de sua espécie e experimentando, por conta própria, repetir muitas vezes essas condutas da especie.          p.13 -14.

 

O ser humano aprendeu a transformar partes das trocas feitas no interior da cultura em situações sociais de aprender e aprender (educação)

 

A educação continua no ser humano o trabalho da natureza de fazê-lo evoluir, de torná-lo mais humano.

 

Os antropólogos ao estudarem as sociedades “primitivas” [sociedades simples], sociedades tribais das Américas, da Ásia, da África e da Oceania, quase em sua totalidade, não utilizam a palavra educação ao descreverem relações cotidianas ou cerimônias rituais em que crianças aprendem e jovens são solenemente admitidos no mundo dos adultos

As crianças e jovens para se ajustar à sua sociedade precisam ser educados

 

Aprendem aos poucos a caçar, a fabricar o arco e a fecha e assim por diante

Adquirem sentimentos e disposições emocionais que regulam a conduta dos membros da tribo e constituem o corpo de suas regras sociais da moralidade

 

Os antropólogos identificaram processos sociais de aprendizagem, mas nenhuma situação propriamente escolar de transferência do saber tribal.   P.17

 

Tudo o que se sabe aos poucos se adquire por viver muitas e diferentes situações de trocas entre pessoas, com o corpo, com a consciência, com o corpo e a consciência.

 

As pessoas convivem umas com as outras e o saber flui pelos atos de quem, para quem não-sabe-e-aprende.   Mesmo quando os adultos encorajam e guiam os momentos e situações de aprender de crianças e adolescentes, são raros os tempos especialmente reservados apenas para o ato de ensinar.

 

A criança vê, entende, imita e aprende com a sabedoria que existe no próprio gesto de fazer a coisa

São situações de aprendizagem aquelas em que as pessoas do grupo trocam bens materiais entre si ou trocam serviços e significados: na turma da caçada, no braço de pesca, no canto da cozinha da palhoça, na lavoura familiar ou comunitária de mandioca, nos grupos de brincadeiras de meninos e meninas, nas cerimônias religiosas.  P.18

DIMENSÃO CULTURAL DA SALA DE AULA

BANDEIRA, Maria de Lourdes. Antropologia. Diversidade e Educação. Cuiabá: Ed UFMT, 1995.

Resumo elaborado por Antônio Eustaquio de Moura/UNEMAT,campus de Cáceres
 


A passagem da vida familiar para a vida escolar é uma experiência marcante para a grande maioria das crianças.                                   18

Na escola

Um meio                     18

            Com referencias e valores diferenciados

            Com focos de significação dominantes


A criança vai se defrontar com um meio social mais amplo, nem sempre iguais aos do seu meio social.

 
A escola vai implicar um desdobramento da consciência de si nas relações com o meio mais amplo que ela enseja.

 

A sala de aula é um micro universo da sociedade                18 - 19

- os recortes das diversificações internas da sociedade vão sendo percebidos e internalizados;

- a relação da criança com esse micro universo se dá, inicialmente, pelo deslocamento dos significados do meio escolar;

- o professor é identificado com a autoridade e os colegas são identificados como pares

- é um lugar de aprendizagem escolar e aprendizagem social;

 
O funcionamento da classe é social e culturalmente regulado         18 – 19

- a criança aprende a se comportar, discrimina as expectativas do professor, dos pares, da própria família e se esforça para responder a elas;

- dos processos de interação emergem novas regras;

- entre as regras aprendidas na escola e as do meio familiar podem haver divergências, certas regras ora têm validade ora não;

- a criança enfrenta novas exigências e novos conflitos

 

Na interação que ocorre na escola, a criança apreende intenções e cada vez mais os papeis e as representações das diferenças assumem importância nos processos de discriminação

 

Para muitas crianças seus quadros de referencia e os de seus pares apresentam, ou não uma dolorosa divergência com os quadros dominantes de referencia.

 

A sala de aula é um palco de conflitos de valores.  As diferenças raciais, as diferenças de origem regional ou de origem urbano-rural, enfim as diferenças étnico-culturais configuram conflitos de valores de pertencimento, interferindo no reconhecimento recíproco entre os colegas de classe, podendo assumir feição limite de processos de rejeição, de discriminação.  A criança é colocada face a face com uma imagem que o espelho desses processos reflete de si, distanciada e deformada em relação à própria auto-imagem, levando-a a desejar ser diferente do que é, ou seja, não ser o que é. 19

 
A sala de aula se define como um instrumento de hegemonia cultural        19

            Pressiona os alunos em direção a aceitação [da cultura hegemônica]

            A manifestação de resistência (ativa ou passiva) é asfixiada

            O aluno [por algum motivo inferiorizado] aprende, a duras penas, a distância social         entre ele e os outros

 

Na escola, a criança pode ser sentir estimulada ou reprimida, livre ou oprimida

 

[As favorecidas pelas suas condições; as desfavorecidas pelas suas condições]

[fazer ligação do o texto Pedagogia da Diferença de Marli Andre]

 

 

Os quadros de referencia epistemológica entram em conflito.         19

            O saber dos alunos étnicos culturalmente diferenciados não lhes garante pontes para o saber escolar que não os reconhece [o mesmo ocorre com os alunos do meio rural em escolas urbanas ou que utilizam padrões urbanos]

 

A sala de aula além de foco de representações sociais dominantes é foco de construção da representação conceitual cientifica do mundo [exemplo predomínio do positivismo[AM1] ]

 

O positivismo, por exemplo, como forma de modelagem conceitual confere um sentido de anterioridade da ordem, como atributo do universo físico e social, encobrindo a sua qualidade de construção histórica –social.                           19 – 20

 

Exemplos de como em um livro didático aborda

            As cidades                  20 – 21

            A zona rural                21 – 22

            a interligação município,Estado e Pais          24

            a reprodução                          25

            a higiene e a saúde                 26 – 27

 

O livro didático não é o único vilão da educação escolar

Parte do problema da educação escolar é devido a cultura da Escola.

 
CULTURA DA ESCOLA

Programas

Avaliação

Projeto pedagógico

 
Programas                   27

Desempenham um papel crucial na Cultura da escola

São o suporte da educação escolar reduzida a um processo de transmissão de conhecimentos, de conteúdos programáticos.

Não deixam claro que os temas listados nos programas são objeto de diferentes abordagens sob o enfoque de diferentes orientações teóricas

A cultura da escola privilegia a aula em si

 
Avaliação                   27

É uma questão interdita, objeto de tensões e inseguranças.

Não se construiu uma tradição escolar de avaliação

 
Projeto Pedagógico

È tradicionalmente definido pelo Estado, pela Igreja (escolas confessionais), pelas empresas (escolas privadas)

 
Projeto Pedagógico                27 - 28

            Primeiro projeto

                        Difusão do ensino elementar

                        Preparação para o trabalho

            Essa proposta foi recusada pelo Governo Colonial, pois o mesmo recusava em pensar em uma educação publica, isto é, destinada a coletividade ao povo

 

            Influencia positivista – á partir do final do século XlX                   28

            Incultou uma visão linear de progresso, garantido pela ordem

            Atribuía à ordem o sentido de obediência

 

            Criada pela Constituição republicana                        28

            Orientada no sentido de significar as duas pontas do sistema: a escola primaria e a escola superior (faculdades e universidades)

            O ensino de segundo grau configurou-se como uma espécie de limbo

 

A escola, como instituição da cultura para transmissão da cultura, desenvolveu-se como expressão da cultura da submissão e da opressão [...]                        28

 
   Educação sob a ótica dos pioneiros da Educação Nova           29

            Democratização do ensino tendo como base a obrigatoriedade

            Gratuidade

            Laicidade

            Composição mista das classes

            Profissionalização

 

A superação da dimensão cultural tradicionalista do caráter elitizante da sala de aula e da educação escolar ainda é um processo em curso, bem longe de estar concluído. 
A permanência do caráter elitizante se expressa na aula improvisada, na falta de identidade da escola, na inexistência de um projeto pedagógico próprio fundado nas raízes culturais de seus alunos, na valorização do ornamento e da aparência, numa pratica educativa de ensaio e erro, exercitada sobre o vazio.  Enfim, o caráter elitizante da sala de aula se expressa cotidianamente num ensino de fachada, num ensino circular que se repete indefinidamente, um ensino retórico sem vinculações com a pratica, um ensino atomizado sem

 [AM1]Positivismo- doutrina de Auguste Comte caracterizada pela orientação antimetafisica e antiteologica. Preconizava como valido unicamente à admissão de conhecimentos baseados em fatos e dados da experiência.
No Social a valorização da ordem, o respeito às instituições e hierarquias

A Diferenciação étnico-cultural como fator de insucesso escolar


A Diferenciação étnico-cultural como fator de insucesso escolar
BANDEIRA, Maria de Lourdes. Antropologia. Diversidade e Educação. Cuiabá: Ed UFMT, 1995.

Resumo elaborado por Antônio Eustaquio de Moura/UNEMAT, campus deCáceres
 

Dados sobre a repetência de crianças indígenas e crianças negras mostram uma correlação entre a diferenciação étnico-cultural e repetência escolar.

 

O insucesso escolar é gerado pela diferença em si ou no modo como a escola lida com a diferença étnico-cultural.

 

Representações coletivas sobre capacidades intelectuais de negros e índios apontam na direção de que a tendência ao insucesso escolar se explica pela diferença em si.

 

A competência intelectual de índios

 

Representações Coletivas sobre os índios  [povos indígenas´]

é tradicionalmente depreciada

Os índios são considerados incapazes de civilização

O discurso social sobre o índio passa a idéia de que possui uma mentalidade c primitiva, pré -lógica, ingênua, infantil

Se o índio é socialmente considerado selvagem e incapaz fica implícito sua incapacidade, também para a escolarização

 

Representações sociais sobre os negros                 34 - 35

São considerados como intelectualmente inferiores

As teorias racistas de Conde Gobineau, diplomata Frances no Brasil, durante o segundo império, foram consideram muito divulgadas e se tornaram populares

 

Para Gobineau

Os negros eram:

             fisicamente bem dotados;

            apropriado ao trabalho pesado, que requer esforço físico

           

representações positivas dos dotes físicos dos negros

            boa voz

            bons dentes

            mais resistência física

            mais potencia sexual

            mais sensualidade

            mais ritmo

            bom ouvido

 

Por possuir estas qualidades físicas se destaca no futebol, musica e dança

 

Estas capacidades maiores nestas atividades não levam em conta que são praticas populares que os negros podiam realizar, desde o contexto da escravidão.                 35

 

Qualidades intelectuais do negro, segundo Gobineau

            Rude,

            Com dificuldade para aprender

 

Desta forma [no imaginário nacional] se colocava que os negros e os índios tinham menos capacidade de aprendizagem que os brancos

 

Afirmação da autora

A dificuldade de aprendizagem para os negros e para os índios é engendrada em nível do distanciamento social e cultural que o meio escolar lhes impõem               35

 

Crianças negras e índias não se vêem refletidas no meio escolar.  Aos problemas e dificuldades que todos os alunos enfrentam, somam-se hostilidade, a discriminação, o desprezo, a humilhação, ao desenraizamento experiência dolorosa, aversiva, frustrante, incapacitante cultural, a opressão que tornam a escolaridade uma experiência dolorosa, aversiva, frustrante, incapacitante.                       35

 

A diferenciação étnico-cultural como fator de insucesso escolar coloca o desafio de se pensar a educação dos negros e a educação indígena.                       35

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DIMENSÃO CULTURAL DA SALA DE AULA

 

A passagem da vida familiar para a vida escolar é uma experiência marcante para a grande maioria das crianças.                                   18

 

Na escola

 

Um meio                     18

            Com referencias e valores diferenciados

            Com focos de significação dominantes

 

A criança vai se defrontar com um meio social mais amplo, nem sempre iguais aos do seu meio social.

 

A escola vai implicar um desdobramento da consciência de si nas relações com o meio mais amplo que ela enseja.

 

A sala de aula é um micro universo da sociedade                18 - 19

- os recortes das diversificações internas da sociedade vão sendo percebidos e internalizados;

- a relação da criança com esse micro universo se dá, inicialmente, pelo deslocamento dos significados do meio escolar;

- o professor é identificado com a autoridade e os colegas são identificados como pares

- é um lugar de aprendizagem escolar e aprendizagem social;

 

 

O funcionamento da classe é social e culturalmente regulado         18 – 19

- a criança aprende a se comportar, discrimina as expectativas do professor, dos pares, da própria família e se esforça para responder a elas;

- dos processos de interação emergem novas regras;

- entre as regras aprendidas na escola e as do meio familiar podem haver divergências, certas regras ora têm validade ora não;

- a criança enfrenta novas exigências e novos conflitos

 

Na interação que ocorre na escola, a criança apreende intenções e cada vez mais os papeis e as representações das diferenças assumem importância nos processos de discriminação

 

Para muitas crianças seus quadros de referencia e os de seus pares apresentam, ou não uma dolorosa divergência com os quadros dominantes de referencia.

 

A sala de aula é um palco de conflitos de valores.  As diferenças raciais, as diferenças de origem regional ou de origem urbano-rural, enfim as diferenças étnico-culturais configuram conflitos de valores de pertencimento, interferindo no reconhecimento recíproco entre os colegas de classe, podendo assumir feição limite de processos de rejeição, de discriminação.  A criança é colocada face a face com uma imagem que o espelho desses processos reflete de si, distanciada e deformada em relação à própria auto-imagem, levando-a a desejar ser diferente do que é, ou seja, não ser o que é. 19

 

 

A sala de aula se define como um instrumento de hegemonia cultural        19

            Pressiona os alunos em direção a aceitação [da cultura hegemônica]

            A manifestação de resistência (ativa ou passiva) é asfixiada

            O aluno [por algum motivo inferiorizado] aprende, a duras penas, a distância social         entre ele e os outros

 

Na escola, a criança pode ser sentir estimulada ou reprimida, livre ou oprimida

 

[As favorecidas pelas suas condições; as desfavorecidas pelas suas condições]

[fazer ligação do o texto Pedagogia da Diferença de Marli Andre]

 

 

Os quadros de referencia epistemológica entram em conflito.         19

            O saber dos alunos étnicos culturalmente diferenciados não lhes garante pontes para o saber escolar que não os reconhece [o mesmo ocorre com os alunos do meio rural em escolas urbanas ou que utilizam padrões urbanos]

 

A sala de aula além de foco de representações sociais dominantes é foco de construção da representação conceitual cientifica do mundo [exemplo predomínio do positivismo[AM1] ]

 

O positivismo, por exemplo, como forma de modelagem conceitual confere um sentido de anterioridade da ordem, como atributo do universo físico e social, encobrindo a sua qualidade de construção histórica –social.                           19 – 20

 

Exemplos de como em um livro didático aborda

            As cidades                  20 – 21

            A zona rural                21 – 22

            a interligação município,Estado e Pais          24

            a reprodução                          25

            a higiene e a saúde                 26 – 27

 

O livro didático não é o único vilão da educação escolar

Parte do problema da educação escolar é devido a cultura da Escola.

 

 

CULTURA DA ESCOLA

Programas

Avaliação

Projeto pedagógico

 

 

 

 

 

Programas                   27

Desempenham um papel crucial na Cultura da escola

São o suporte da educação escolar reduzida a um processo de transmissão de conhecimentos, de conteúdos programáticos.

Não deixam claro que os temas listados nos programas são objeto de diferentes abordagens sob o enfoque de diferentes orientações teóricas

 

A cultura da escola privilegia a aula em si

 

Avaliação                   27

É uma questão interdita, objeto de tensões e inseguranças.

Não se construiu uma tradição escolar de avaliação

 

Projeto Pedagógico

È tradicionalmente definido pelo Estado, pela Igreja (escolas confessionais), pelas empresas (escolas privadas)

 

 

Projeto Pedagógico                27 - 28

            Primeiro projeto

                        Difusão do ensino elementar

                        Preparação para o trabalho

            Essa proposta foi recusada pelo Governo Colonial, pois o mesmo recusava em pensar em uma educação publica, isto é, destinada a coletividade ao povo

 

            Influencia positivista – á partir do final do século XlX                   28

            Incultou uma visão linear de progresso, garantido pela ordem

            Atribuía à ordem o sentido de obediência

 

            Criada pela Constituição republicana                        28

            Orientada no sentido de significar as duas pontas do sistema: a escola primaria e a escola superior (faculdades e universidades)

            O ensino de segundo grau configurou-se como uma espécie de limbo

 

A escola, como instituição da cultura para transmissão da cultura, desenvolveu-se como expressão da cultura da submissão e da opressão [...]                        28

 

 

   Educação sob a ótica dos pioneiros da Educação Nova           29

            Democratização do ensino tendo como base a obrigatoriedade

            Gratuidade

            Laicidade

            Composição mista das classes

            Profissionalização

 

A superação da dimensão cultural tradicionalista do caráter elitizante da sala de aula e da educação escolar ainda é um processo em curso, bem longe de estar concluído. 

A permanência do caráter elitizante se expressa na aula improvisada, na falta de identidade da escola, na inexistência de um projeto pedagógico próprio fundado nas raízes culturais de seus alunos, na valorização do ornamento e da aparência, numa pratica educativa de ensaio e erro, exercitada sobre o vazio.  Enfim, o caráter elitizante da sala de aula se expressa cotidianamente num ensino de fachada, num ensino circular que se repete indefinidamente, um ensino retórico sem vinculações com a pratica, um ensino atomizado sem articulações com as vivencias do aluno.                 29



 [AM1]Positivismo- doutrina de Auguste Comte caracterizada pela orientação antimetafisica e antiteologica. Preconizava como valido unicamente à admissão de conhecimentos baseados em fatos e dados da experiência.
No Social a valorização da ordem, o respeito às instituições e hierarquias

Diversidade Sexual na Escola


Anotações sobre o livreto “Diversidade Sexual na Escola

Referencia Bibliográfica

BORTOLINI, Alexandre. Diversidade Sexual na escola. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

Resumo elaborado por Antonio Eustaquio de Moura/UNEMAT,campus de Cáceres em 2012
 

Perguntas chaves

Como a escola pode lidar com situações ligadas à orientação sexual dos alunos?

A sexualidade dos alunos e alunas é um problema da Escola?

A discriminação e a violência que sofrem os jovens homossexuais dentro da escola é um problema da escola?

O que uma professora ou um professor pode fazer diante de um ato de discriminação relacionado à orientação sexual

 

O texto se baseia nas atividades realizadas pelo projeto Diversidade sexual na escola/UFRJ em escola do interior e regiões metropolitanas do Rio de Janeiro,ao longo de 2006 e 2007.

 

Sexualidade por todos os lados

Nos anos 1960, teve inicio um processo de aprofundamento das mudanças sociais em relação ao comportamento e a sexualidade.  Os dois movimentos que mais contribuíram para essas transformações foram o movimento feminista e os movimentos gay e lésbicos.

 

Vivemos hoje um momento de transição, de transformação dos paradigmas de comportamento sexual e afetivo da nossa sociedade.

 

Como todo o momento de transição a realidade de hoje guarda varias contradições.

            Convivemos hoje com uma diversidade sexual maior

            Se mantém e até se reforçam atitudes preconceituosas,discriminatórias e violentas de pessoas,grupos e instituições conservadoras;

 

Este embate entre o novo e o conservador,entre a conquista de direitos e a repressão [dos novos direitos] ocorre em toda a parte: na família, no circulo de amigos, na comunidade,no trabalho e é claro na escola.

 

Nesse contexto, a escola entendida como uma instituição formada por seres humanos,país, mães, professores, alunos e funcionários,muitas vezes não é vista como um lugar onde a sexualidade deva ser expressada ou discutida. Em seu aparente silencio,na verdade,ela fala o tempo todo sobre sexualidade.

[...] Para citar exemplos mais modernos, a divisão por sexo nas aulas de educação física e os esportes atribuídos a meninos ou meninas; as filas de meninos e de meninas na educação infantil; as distinções sexistas de vestuário – meninos não podem usar brincos nem cabelos cumpridos; a forma dos professores tratarem alunos homens ou mulheres,com rispidez ou com delicadeza; a tolerância da violência,verbal e até mesmo física, entre meninos; a preocupação constante com a manifestação da sexualidade das adolescentes [...]

 

Uma pesquisa da UNESCO levantou que existem alguns pais que não querem a discussão direta sobre sexualidade na escola,mais constatou ,também que a maior parte dos responsáveis pelos alunos ,e a maioria de educadores e estudantes é favorável à discussão da sexualidade na escola.

 

Duas visões de discussão da sexualidade na escola

Nas escolas [onde a discussão sobre a sexualidade existe] a um embate entre a visão “higienista e biologizante” onde apenas o professor (a) de Ciências [ou de biologia] cabe a responsabilidade detratar deste tema

De outro lado existe a perspectiva interdisciplinar , onde a sexualidade deva ser tratada em diferentes momentos e sob diferentes perspectivas em todos os aspectos (biológicos, sociológicos, culturais,afetivos etc.) numa idéia de pluralidade e tolerância.

 

 

 

Mas o que orienta as posições institucionais da escola?

Como cada estabelecimento se coloca diante da sexualidade e, especificadamente, da diversidade sexual de seus/suas alunos/ alunas e professores/as?

Como cada escola lida com episódios de conflito, de agressão e de discriminação?

A escola trabalha para a superação desses preconceitos ou, ao contrário adota, nas suas práticas cotidianas,regras, rótulos e posturas que tendem a reproduzir, afirmar e incrementar atitudes discriminatórias, sexistas e homofobicas?

 

Conceitos

 

Como se dá o gosto por alguma coisa [objeto,comida,tipo de trabalho, musica,filme, pessoas etc.]

 

Os seres humanos não são completos em si mesmos, e buscam prazer em muitas fontes externas – a gente viaja, come, trabalha, estuda,vê filmes, tem filhos...

O porquê das pessoas terem vontades tão variadas e as diferenças na sua realização é um complexo que combina elementos culturais,biológicos e sociais.  A ciência ainda não dá conta dessas respostas.

Esses sentimentos são,direcionados a um objeto externo a si mesmo, e não dizem respeito ao que a pessoa é ou o que faz,mas é uma vontade subjetiva.

Uma das formas de encontrarmos prazer e completude nas nossas vidas são o amor e o sexo.

 

Orientação sexual e afetiva

[...] significa a atração ,o desejo sexual e afetivo que uma pessoa sente por outras [...]

 

Tipos de orientação sexual

            Homossexual quem sente atração por pessoas do mesmo gênero

            Heterossexual quem sente atração por pessoas do gênero oposto

            Bissexual        quem sente atração por pessoas de ambos os gêneros.

 

Existem grandes diferenças entre pessoas heterossexuais e entre pessoas homossexuais

Podemos pensar a existência de heterossexualidades e de homossexualidades

 

O desejo humano pode ser como um gradiente que vai da homossexualidade absoluta à heterossexualidade absoluta (com a bissexualidade exatamente no meio).  A maioria dos seres humanos está localizada dentro dessa gradação.

 

Conceito de gênero

Diz respeito ao conjunto das representações sociais e culturais construídas a partir da diferença biológica dos sexos. (PARAMÊTROS CURRICULARES MNACIONAIS- Pluralidade Cultural e Orientação sexual, 2.000, p.144).

 

Conceito de identidade sexual

Difere da orientação sexual e afetiva, que está diretamente relacionada ao meu desejo pelo outro.

 

A identidade sexual tem a ver como a pessoa se coloca diante da sociedade,com quais grupos, representações e imagens eu me identifico e me reconheço.

 

Identidades sexuais

            Gay

            Lésbica

            Travesti

            Transexual

            Bissexual

            Mulher heterossexual

            Homem heterossexual

                        Homossexual masculino discreto  [másculo, no armário, enrustido]

                        Mulher homossexual discreta [feminina, no armário, discreta]

 

Estas identidades não têm a ver só com a atração sexual e afetiva, mas ,mais do que isso, têm a ver com um jeito de ser, de se sentir, de vivenciar o seu afeto, com o compartilhamento de uma determinada cultura, música, lugares de encontro [...]

 

Quatro conceitos para entender a sexualidade humana.

Sexo, gênero, orientação sexual, e afetiva, identidade sexual

A maioria de nós quando crianças foi ensinada que só existiam duas possibilidades de combinações destes conceitos:

Sexo:masculino + gênero :masculino+orientação:hetero + identidade: homem hetero

Ou

Sexo:feminino + gênero:feminino + orientação:hetero + identidade:mulher hetero

Mas existem outras formas de combinação dessas características

 

 

Mitos e crendices sobre a homossexualidade

1 – Os homens gays são mais sensíveis e ótimos amigos;

2 – Numa transa entre dois homens, quem é passivo é mais homossexual do que quem é ativo;

3 – A homossexualidade é uma opção devida, uma escolha

4 – Todo o homem que faz sexo com outro homem é gay;

            - homossexualidades temporárias

5 – Existe muita promiscuidade entre nos homossexuais;

6 - O risco de pegar AIDS é maior entre homossexuais;

7 – Os jovens bissexuais na verdade estão passando por uma fase de indecisão.  Logo vão optar por um lado ou pelo outro.

8 – Homossexuais têm dificuldade de manter relações afetivas estáveis, como casamento, por exemplo;

 

Outros

A) Homossexuais freqüentemente são pedófilos

B) Não conseguem se controlar, sentem atração “por todo mundo”

C) A mulher lésbica é violenta

D) As mulheres lésbicas querem ser homens, ou semelhantes aos homens

E) Uma mulher homossexual é assim, pois nunca experimentou “um homem de verdade”

F) Os homens homossexuais fazem sexo Ana

G) Os homens homossexuais querem ser mulher ou ficar semelhante a uma mulher

 

 

Problemas na escola

- violência

-apelidos

-aceitação condicionada (ter de se portar bem)

- problemas com religiosos fundamentalistas

- omissão dos professoras/es nos casos de homofobia

- professores/as  e funcionários da escola não capacitados

 

Ganhos

- uso do nome social para os travestis e Transexuais

- uso do banheiro feminino

- uso de roupas femininas, ou masculinas

- Abrangidos/as pelos Direitos Humanos

Status e Papel


 

Status e Papel

 LINTON, Ralph. Status e Papel.In:____ . O Homem: Uma Introdução à Antropologia. 3. ed. São Paulo: Livraria Martins,19--. cap. 8,p. 133 – 152.

 Resumo elaborado por Antônio Eustaquio de Moura em 2012

Significação dupla do termo Status              133

            Posição dentro de um determinado padrão [posição social]

            Soma total de todos os status que o individuo ocupa. Posição do individuo em    relação à sociedade total

 

[Uma pessoa tem vários status- o relacionado ao seu sexo, idade, classe social, parentesco, profissão etc.]

 

Status de uma pessoa é um conjunto de seus direitos e deveres

 

Papel [social] representa o aspecto dinâmico do status 134

 

Um individuo ao efetuar os direitos e os deveres de seu status está desempenhando um papel   

 

[Analogia de status com os cargos de uma companhia e papel como sendo as funções e ações, determinadas para cada cargo]

 

Papel Geral- representa a soma total dos papeis de um individuo e determina o que ele deverá fazer na sociedade e o que pode esperar da sociedade.   134

 

Status e papel provem de padrões sociais e são partes integrantes destes padrões.

 

[padrões sociais]

 

Status e papel combinados representam [determinam] as atitudes e o comportamento que os indivíduos devem assumir para tomar parte na manifestação expressa do padrão [fixado pela sociedade em que vive]                    134

 

Status e papel servem para reduzir [passar para] a termos individuais os padrões ideais de vida social.

 

“tornam-se modelos para a organização das atitudes e do comportamento individuais, de maneira a torná-los coerentes com os dos indivíduos que tomam parte na manifestação de um padrão                     134

 

Quanto mais os membros de uma sociedade se ajustam aos seus status e papeis mais suavemente [tranquilamente] funcionará a sociedade

 

 

 

TIPOS DE STATUS

            Atribuído

            Adquiridos

 

Status Atribuído

São que designam os indivíduos sem referencia às diferenças de capacidades inatas.

 

Status Adquirido

São os requerem qualidades especiais.  Não são atribuídos aos indivíduos deste o seu nascimento, mas ficam entregues à competição e ao esforço individual.

 

Em todas as sociedades se escolhem pontos de referencia, para atribuição de status       136

 

Pontos de referencia para atribuição de status          136

            Idade

            Sexo

            Morte

            Parentesco biológico

                        Filiação

                        Casamento

            Nascimento em um certo grupo, socialmente estabelecido (classe social, casta)

            Pericia técnica ou outras habilidades

 

Em relação à Idade – é empregada com freqüência, pois todos os indivíduos atravessam o mesmo ciclo de crescimento, maturidade e declínio, sendo possível predizer os status cuja ocupação será determinada pela idade e fazer com exatidão o adestramento correspondente             136

 [fazer relação com Socialização]                 

 

O uso da idade como ponto de referencia para estabelecimento de status é tão universal quando ao sexo.

Todas as sociedades reconhecem no mínimo três grupos de idade: as crianças, os adultos e os velhos                 138

 

As diferenças físicas entre a criança e o adulto são facilmente reconhecíveis e a passagem da infância à maturidade é marcada por acontecimentos fisiológicos que permitem datá-las.

A criança torna-se homem, não quando atinge a maturidade física, mas quando é formalmente considerada por sua sociedade como um homem [ou uma mulher]           138

 

É difícil perceber a passagem da idade adulta para a velhice           139

 

Autor menciona dados onde a passagem de adulto para velho varia em determinadas culturas.   139

 

Refere-se a vontade dos jovens para serem considerados socialmente adultos, devido a diferença de direitos entre as crianças e os adultos

 

As atitudes entre pais e filhos, a importância dada as crianças na estrutura da família variam enormemente de uma cultura para outra

 

[mudam no decorrer do tempo exemplo crianças na Inglaterra durante a Revolução

Industrial.  Casamento de meninas, antigamente no Brasil]

 

Em algumas sociedades, os status atribuídos aos velhos variam muito.  Em algumas tem diversas funções e são valorizados, em outras tratados como inúteis

 

[lembrar que em alguns povos, no passado, os velhos eram abandonados para morrer (Japoneses, esquimós, alguns povos indígenas. Como os velhos são tratados atualmente]

 

Devido à perda de status em algumas culturas os adultos ao envelhecerem se recusam a mudarem de status                  141

 

 

No caso da idade os fatores biológicos envolvidos na mudança de status, parecem secundários em relação aos fatores culturais para determinar o conteúdo do status.       140

 

Em relação ao sexo [biológico] – a divisão e atribuição de status com base no sexo é básica em todos os sistemas sociais.

Todas as sociedades prescrevem aos homens e às mulheres atitudes e atividades diferentes. A maioria delas tenta racionalizar estas prescrições em termos de diferenças fisiológicas entre os sexos e entre seus papeis no processo de reprodução. 136

 

Estudos comparativos dos status atribuídos aos homens e às mulheres, realizados em diferentes culturas indicam que as atribuições são quase inteiramente determinadas pela cultura.                136

 

As características psicológicas atribuídas aos homens e às mulheres em diferentes sociedades variam tanto, que só podem ter pequena base fisiológica.  136

 

Status de Morto

Em nossa sociedade como em muitas outras não se pensa a pessoa morta como continuando membro da comunidade. 

Entretanto, em algumas culturas a pessoa morta continua fazendo parte da sociedade, apenas mudando de status            142

 

Status com referencia ao parentesco biológico     142

 

Em todas as sociedades os parentescos biológicos são usados para determinar alguns status [atribuídos]

 

Em varias sociedades variam:            143/144

            Os status delegados às pessoas relacionadas pelo sangue

            O parentesco consangüíneo reconhecido como pontos de referencia para atribuição         de Status.

 

Atribuição de Status com referencia à fatores puramente sociais          146/147

            Diferenças individuais quanto a pericia técnica ou outras habilidades

            Baseada no pertencimento à alguma unidade social [clube, instituição]

            Subjugação de uma sociedade por outra 

 

Tendência de transmissão hereditária de status obtidos por fatores sociais

 

Os membros de uma divisão social [classe, grupo social, casta] tentam transmitir aos seus descendentes as vantagens obtidas [status obtido] e ao mesmo tempo impedir a entrada de indivíduos pertencentes as divisões inferiores.             147

 

Em uma classe social ou casta haverá uma serie de status peculiares aos seus membros [internos] e atribuídos por sexo, idade, parentesco.                     147

 

STATUS ADQUIRIDO       148

Todos os sistemas possuem um numero variável de status abertos às realizações individuais. [estudo, concorrência]

 

Nas sociedades existe um numero limitado de status que requerem dons especiais para serem preenchidos.  Tais status ficam entregues à competição 148

 

[Entretanto, essa competição é limitada pelo status de sexo, idade, afiliações sociais [raça]. Ou seja, alguns status apesar de não haver uma proibição formal, são inacessíveis para pessoas de status considerados inferiores e, portanto inadequado]

Ver pagina 148.